Coração do Minho, Princesa do Cávado, cidade monumental, cabeça de uma extensa comarca que lhe deu, desde a Idade Média, grande relevo político e jurídico-administrativo, pólo comercial de relevo, com uma grande feira, desde o século XIII, Barcelos tem uma história rica em acontecimentos, património e gente ilustre.
O seu galo altaneiro é um dos símbolos mais famosos de Portugal. Os seus belos jardins já Ramalho Ortigão os destaca, afirmando que Barcelos era o Jardim do Minho.
A História de Barcelos começa a salientar-se na primeira metade do século XII, quando o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques lhe outorga a carta-foral, entre 1140 e 1146. Esta foi confirmada por D. Afonso II, tendo sido reformada com novos privilégios pelo rei D. Manuel em 7/8/1515, que lhe deu foral novo.
No reinado de D. Dinis, Barcelos torna-se no primeiro condado português, doado, em 8/5/1298, a D. João Afonso Telo de Meneses, mordomo-mor do reino e seu diplomata, para recompensar os seus bons ofícios aquando da celebração do Tratado de Alcanizes que pôs terma à guerra com Castela. Mais tarde, o condado será elevado a ducado por D. Sebastião, ficando a pertencer à Casa de Bragança.
Entre 1304 e 1314, o condado de Barcelos foi confiado a D. Martim Gil, alferes-mor do reino e, depois a D. Pedro, filho bastardo de D. Dinis e autor do Nobiliário, conhecido livro de linhagens, que governou até 1354. Ao conde D. Pedro se deve o início da construção da Igreja Matriz, que mostra nas arquivoltas da sua porta principal as suas armas, e da ponte medieval sobre o rio Cávado (1325-1328).
Seguiram-se os condes D. Afonso Telo (1357-1372) e D. Afonso Teles de Menezes(1371-1382) que prosseguiram as obras de construção da Colegiada, D. Nuno Álvares Pereira (1385-1401), Condestável do Reino, que sucedeu ao sexto conde, morto na batalha de Aljubarrota, e D. Afonso (1401-1461), 8º Conde de Barcelos e 1º Duque de Bragança, filho bastardo de D. João I que casou com D. Beatriz Pereira, filha do sétimo conde, e recebeu o condado como dote de casamento.
Com o oitavo conde, Barcelos torna-se um núcleo importante da região e sede administrativa, conhecendo um período de construções e melhoramentos que lhe alteraram a fisionomia. Provavelmente, por causa da morte da esposa, em 1412, D. Afonso que, até então, residia em Chaves, decidiu fixar-se com os seus três filhos, em Barcelos, e iniciar uma série de construções, designadamente as muralhas e a reconstrução da Igreja Matriz. Desenvolveu também todos os esforços no sentido de transformar a Igreja Matriz em Colegiada, o que só foi conseguido por D. Fernando (1461-1478), 9º conde de Barcelos, em 7/10/1464, que inicia a construção do Paço Condal.
Barcelos atingiu, então, grande importância, possuindo várias casas de assistência, a Gafaria, desde o século XII, uma das primeiras de Portugal, o Hospital do Espírito Santo, situado ao lado dos Paços do Concelho, integrados, em 1520, na Confraria da Misericórdia de Barcelos, duas estalagens para apoio a viandantes e peregrinos, uma judiaria e várias construções, casas senhoriais, ermidas, capelas, santuários e cruzeiros.
Durante o domínio filipino, do Governo do duque de Olivares, os vereadores de Barcelos recusaram durante meses o pagamento das contribuições ao Estado, manifestando a sua discordância quanto à União Ibérica.
Com a subida ao trono, D. João IV, Duque de Bragança e donatário de Barcelos fez rever os préstimos e emprazamentos da Casa de Bragança e proporcionou a demarcação da vila com a colocação de 8 marcos, aumentando-lhe as regalias e os empréstimos.
Nos séculos XVII e XVIII, Barcelos conhece uma série de construções extra-muros. De destacar o Templo do Senhor da Cruz (1705/14), o Convento das Religiosas de S. Bento (1707/1713), o Convento dos Capuchos (construído no séc. XVII e remodelado no séc. XVIII e onde hoje se instala a Misericórdia), o Passeio dos Assentos e o Solar do Benfeito.
A partir do último quartel do século XIX, Barcelos conhece nova época de desenvolvimento devido à iniciativa de sucessivos presidentes da Câmara, José Abreu do Couto Amorim Novais, José Júlio Vieira Ramos e Miguel Pereira da Silva Fonseca. Foi neste período que se lançaram as bases da Barcelos Moderna. Inaugurou-se o caminho-de-ferro. Abriu-se a Avenida Alcaides de Faria. Calcetaram-se as ruas. Instalou-se a luz eléctrica. Abasteceu-se de água a cidade. Construíram-se belos jardins.
Durante a Primeira República (1910-1926), Barcelos inaugurou o Museu Arqueológico nas ruínas do antigo Paço Ducal.
Barcelos foi elevada à categoria de cidade, em 31 de agosto de 1928 para compensar a retirada do Batalhão de Infantaria e o encerramento da Escola Complementar. Era Presidente da Câmara Municipal o capitão Francisco Caravana.
Neste período do Estado Novo, Barcelos passou a dispor de novos edifícios para determinados serviços públicos, como Correios, Estação de Caminho de Ferro e Caixa Geral de Depósitos. É construído o Hospital e o edifício dos Serviços Médico-Sociais.
O novo mercado municipal, obra do arquiteto Carlos Loureiro, vem substituir o antigo mercado D. Pedro V, mandado construir pelo Presidente da Câmara Faria Barbosa.
Foram criados dois estabelecimentos de ensino muito importantes a Escola Comercial e Industrial e o Liceu de Barcelos.
Com o 25 de Abril de 1974 e a Lei das Finanças Locais, as Câmaras Municipais passaram a ter mais autonomia e a dispor de verbas para maiores investimentos, reforçado mais tarde com a entrada na CEE e a vinda os fundos comunitários.
Exemplo desse poder local forte e democrático é o magnífico edifício dos Paços do Concelho, projeto de recuperação do antigo edifício da Câmara e do Hospital do Espírito Santo.
Barcelos conhece uma onde de progresso e desenvolvimento, a pavimentação de caminhos e a abertura de novas estradas, a construção de habitações e de novas escolas. São criados o Museu de Olaria e a Biblioteca Municipal.
A construção do Palácio da Justiça, a instalação das Finanças e dos Registos Civil e Predial em edifícios próprios.
Mas o que vem mudar a face de Barcelos é nova ponte e complexo rodoviário envolvente.
Anseio antigo e que veio criar novas condições para a prática do desporto, foi a construção do Estádio Municipal
Barcelos começou a virar-se para o rio Cávado, com a construção das piscinas, frente ribeirinha e, mais recentemente dos passadiços e da Ecovia do Cávado.
Barcelos dispõe hoje de um parque escolar moderno e descentralizado para os vários níveis de ensino, reforçado com a criação do IPCA – Instituto Politécnico do Cávado e Ave.
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